terça-feira, 15 de outubro de 2013

DEIXAI IR A ELE, AS CRIANÇAS!


Anderson Martins Lamarão


Para muitas pessoas, ser criança é sinônimo de pureza e ingenuidade. A definição popular da palavra ingenuidade é inocência, pureza, sem malícia. Uma pessoa "ingênua" pode ser definida como alguém que não se comporta de maneira maliciosa e que facilmente pode ser influenciada sem desconfiar da malignidade de outrem. Entretanto a palavra pureza pode ser confundida com a ingenuidade, mas o seu significado é bem distinto à luz das Sagradas Escrituras. ¹Para o cristianismo a pureza é referida como uma necessidade para a realização plena de uma vida em comunhão com Deus. Várias são as referências na Bíblia que recorrem a pureza, seja do coração, das intenções, dos pensamentos, da vida em sociedade. 

Há quem diga que as crianças não possuem pecados e até certo ponto possuem uma espécie de garantia para a eternidade. Todavia esse pensamento não está em consonância com o que a Escritura ensina, veja: "Até a criança mostra o que é por suas ações; o seu procedimento revelará se ela é pura e justa" Pv 20:11 (NVI). 

O rei Davi declara: " Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe" Salmos 51:5 (NVI). Isso significa que a ingenuidade não confere pureza e ausência de mácula numa criança. Você já notou que as crianças também são desobedientes? Você já avistou alguma criança furtando? Você acredita que crianças mentem? Sabe, têm crianças que tiram a vida de outrem e cometem cada barbaridade que até os adultos duvidam. Não podemos ignorar as recomendações reveladas em: Dt 6:7; Pv 19:18; Pv 22:6. 

Vale ressaltar que o problema do pecado não consiste em apenas praticar o pecado, mas sim, em que todos contraíram este como herança do homem Adão (Salmo 51:5). Até mesmo as crianças precisam de salvação. As crianças devem ser evangelizadas também. 

Muitos adultos, por desconhecerem a doutrina da Regeneração ignoram o fato de que até mesmo as crianças necessitam da graça de Deus. Visto que esta doutrina tem sido esquecida, não são poucos a deturpar o texto de Mateus 18:3 ("...como crianças..."). Nessa ocasião Jesus faz esta comparação não porque as crianças são inocentes, mas porque elas são dependentes de outros e, voluntariamente, aceitam deles aquilo que não podem obter por si mesmas. Ora, a regeneração bem como a conversão também são necessárias na infância, pois foi do nosso Senhor e Salvador Jesus a declaração: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam.." Mateus 19:14 (NVI). Os discípulos consideravam as crianças como embaraço na obra de Jesus, mas Jesus as acolhe como súditos do reino e as abençoa. Uma vez que a entrada do reino é pela graça de Deus e não pela conquista humana, os pequenos dependentes desfrutam de direito especial às bênçãos da aliança. 

Que sejam removidas as barreiras da evangelização infantil, deixem ir a Jesus as crianças!

Soli Deo Glória!


Fonte para Consulta: Bíblia de Estudo de Genebra 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Eu sou neurótico!


Cheguei à conclusão que sou neurótico. O que já pode ser percebido pelo início deste texto e o restante da argumentação. Ainda bem que neurose não tem qualquer relação com doença mental. Ufa! Pelo menos não sou maluco. Ainda não. Quem sabe um dia. Na minha consulta ao Dr. Google sobre o assunto, descobri que tenho transtorno ansioso, também conhecido como ansiedade neurótica, que se expressa em sintomas cardiovasculares, sudorese e opressão no peito; e tensão muscular exagerada, espasmos e tremores.

Pois bem, quando sou acometido por esta ansiedade neurótica a minha perna começa a tremer de forma incontrolável e uma pressão no peito às vezes faz com que eu sinta falta de ar.

Antes que alguém pense que eu, de vez em quando, fique no mesmo estado perturbado do rei Saul, ou que tudo isso exija a minha participação em um “encontro poderoso” para a libertação dessa opressão, quero adiantar que considero tudo isso crendice popular gospel e macumba evangélica. Portanto, comigo não cola.

Além disso, neurose tem “cura”, assim como o diabetes. Na verdade, tem controle. Neste aspecto eu tenho duas coisas a controlar, a neurose e a diabetes, com a qual convivo desde os 10 anos de idade. Novamente, nada dessa piada, no estilo humor negro evangélico, em dizer que eu tenho maldição hereditária que precisa ser quebrada ou encosto a ser afastado, porque “diabete” é a mulher do “diabo”.

Acho que agora eu vou escandalizar geral: essa minha ansiedade neurótica se manifesta justamente dentro da igreja, durante o culto, no momento em que alguém está pregando ao púlpito, ao longo de certas pregações.
Antes que você conclua que eu preciso ser “ungido com óleo” e passar por uma “corrente de libertação”, irei explicar o motivo dessa neurose.

Há alguns meses eu tive a grata satisfação de acessar, através de textos publicados nos blogs Voltemos ao Evangelho1 2 e I-Pródigo3, as páginas do Ministério 9 Marcas4 5 6 que tratavam da pregação teologicamente bíblica. Também pude ler argumentações em favor da sã doutrina7, que aliada à revelação de Cristo em toda a Escritura Sagrada, formam os fundamentos para o adequado entendimento da Bíblia e a eficaz pregação expositiva.
Uma excelente referência foi o artigo de Dario de Araújo Cardoso8 que defendia a necessidade da abordagem cristocêntrica dos textos biográficos do Antigo Testamento. Deveríamos olhar para as pessoas retratadas na Bíblia não apenas como exemplos de moralidade ou de conduta reprovável, mas cujas histórias se encaixam dentro de uma história maior, a revelação do plano de redenção elaborado por Deus, que culminou em Jesus Cristo. Assim, deveríamos todos, crentes que leem a Bíblia e pregadores, atentar para a chave hermenêutica bíblica: “Cristo não é apenas o tema central e principal das Escrituras, mas é, sobretudo, o tema de toda a Escritura”, de forma que “todo sermão realmente bíblico se desenvolverá de forma a apresentar Jesus Cristo aos ouvintes”.

Com base nestes textos reveladores e ajustadores da minha conduta, sugeri à liderança da igreja local que pensasse na possibilidade de abordar esses temas na nossa Escola Bíblica Dominical. Graças a Deus, a ideia foi comprada e tivemos duas saudáveis manhãs para sermos ensinados como compreender melhor a Bíblia, fundamentados em três pilares, resumidos a seguir:

1) Toda as Escrituras falam a respeito de Jesus Cristo (João 5.39, 46; Lucas 24.25-27; Atos 2.29-32; 3.18,24; 26.22-23) – O Messias é revelado ao longo da Bíblia, e como estudantes ou pregadores temos o dever de encontrar o Salvador e sua obra nos textos do Antigo e do Novo Testamento;

2) A sã doutrina é encontrada no evangelho (1 Timóteo 1.8-11) – Trata-se do conjunto de princípios que servem de base para a regra de fé, comportamento e norma de conduta social, obtidos a partir da compreensão da revelação bíblica da pessoa e obra do Pai, da pessoa e obra do Filho, da pessoa e obra do Espírito Santo. Ou seja, como devo agir dentro e fora da igreja diante daquilo que a Bíblia revela por meio do evangelho;

3) A teologia bíblia enxerga a Bíblia unificada em torno do evangelho – Trata-se do entendimento que a Bíblia é o relato autobiográfico de Deus, da sua missão pessoal de resgate para restaurar um mundo perdido por meio de seu Filho. Desta forma, mesmo não desconsiderando os estilos dos textos (histórico, poético ou profético), o momento histórico ou a cultura local, o relato bíblico transcende tudo isso porque estes aspectos se encaixam na revelação progressiva do plano de redenção dos escolhidos de Deus. Assim, a Bíblia passa muito longe do discurso motivacional. O glorioso evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16), com ênfase em poder de Deus.

A partir daqueles dois dias de Escola Bíblica eu fiquei mais neurótico do que antes. Percebi o quanto é ridiculamente fácil manipular as emoções das pessoas e a partir de uma falação recheada de palavras de efeito e até frases de para-choque de caminhão, promover um discurso vazio, sem Cristo, que poderia ter sido feito por qualquer um desses palestrantes motivacionais contratados por empresas. Percebi o quanto este discurso deixa o crente comum extremamente satisfeito. O povo gosta disso.

Curioso foi notar que uma irmã que tinha saído por um instante, antes do professor começar a dar um exemplo de como seria uma pregação sem teologia bíblica, ao voltar no meio daquela falação empolgante, do apelo, atos proféticos e da música que foi cantada no final, começar a dar “glória a Deus” pelo que ouvia, dizendo: “Eu recebo”.

Meus amigos, como é fácil preparar um sermão assim. E como é difícil para quem passou a vida inteira ouvindo sermões como estes, perceber o quanto é infrutífero tal discurso. Quão grande é a luta para pregar o verdadeiro evangelho nos nossos dias. Simplesmente e poderosamente o evangelho transformador, capaz de fazer nova criação (2 Coríntios 5.17).

Hoje, a minha ansiedade neurótica se manifesta toda a vez que eu ouço um discurso vazio, humanista, psicológico, sociológico e motivacional. Toda vez que percebo que bastaria pegar um palestrante de empresas e colocá-lo sobre o púlpito em substituição do pregador, que o discurso seria o mesmo, com a única diferença que o palestrante não usaria a Bíblia para sustentar sua fala.
Interessante são as alcunhas que alguns dão a essa “pregação psicologizada”. Certa vez eu ouvia o programa de uma rádio evangélica, quando o pastor disse que iria dar uma “palavra pastoral” para a aflição da ouvinte e começou a dar conselhos no estilo “pregação psicologizada”, a ponto de me fazer pensar até que ele estava lendo um texto escrito pela Zora Yonara.

Meus irmãos, se a nossa pregação em nada diferenciar-se dos discursos budistas, taoistas, kardecistas, esotéricos, hinduístas ou humanistas, para nada serve, a menos para ser pisada pelos porcos. Na pregação bíblica há o poder de Deus para a transformação do homem, porque trata do maior problema da humanidade, o pecado e a necessidade de um Salvador substitutivo. Isso vale tanto para a conversão quanto para a caminhada cristã. Digo isso porque há crentes que acreditam que, uma vez convertidos, não precisam mais da mensagem da cruz.

Hoje em dia minha ansiedade neurótica é percebida quando ouço pregações totalmente moralistas, desprovidas de conteúdo bíblico e que usam o texto Sagrado apenas como mote para falar de coisas que passam muito longe da graça. Assim, ao perceber que o pregador lê sobre um personagem do Antigo Testamento e olha para os bons e maus exemplos da vida desta pessoa para tirar dali estratégias de como o crente deve ou não deve viver, como pode vencer os problemas da vida, tudo isso sem olhar para o plano de redenção, sem olhar para as doutrinas da graça, sem olhar para a própria graça salvadora, em um discurso do homem para o homem, com o nome Jesus totalmente dispensável, minha perna começa a tremer, sinto uma pressão no peito e falta de ar.
Sim, ultimamente tenho sido acometido pela neurose.

Por Erlon Reis

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Você também poderá acessar: 
1http://voltemosaoevangelho.com/blog/2011/12/os-meios-da-graca-leitura-biblica-3/

O Declínio da Pregação Contemporânea


Você já percebeu como diversos comerciais de televisão não falam especificamente sobre os produtos que anunciam? Um anúncio de jeans apresenta um comovente drama a respeito da infelicidade dos adolescentes, mas não se refere ao jeans. Um comercial de perfumes mostra uma coletânea de imagens sensuais sem qualquer referência ao produto anunciado. As propagandas de cerveja são algumas das mais criativas da televisão, mas falam muito pouco sobre a própria cerveja.
Esses comerciais são produzidos com o objetivo de entreter, criar disposição e apelar às nossas emoções, mas não para transmitir informações. Com freqüência, eles são os mais eficientes, visto serem os que fazem melhor proveito da televisão. São produtos naturais de um veículo de comunicação que promove uma visão surrealista do mundo.
A televisão mescla sutilmente a vida real com a ilusão. A verdade é irrelevante. O que realmente importa é se estamos sendo entretidos. A essência não significa nada; o estilo de vida é o que mais interessa. Nas palavras de Marshall McLuhan, o instrumento é a mensagem.
Amusing Ouselves to Death (Divertindo-nos até à morte) é um livro perceptivo mas inquietante escrito por Neil Postman, professor da Universidade de Nova Iorque. Ele argumenta que a televisão nos tem mutilado a capacidade de pensar e reduzido nossa aptidão para a verdadeira comunicação.
Postman assegura que, ao invés de nos tornar a mais informada e erudita de todas as gerações da História, a televisão tem inundado nossas mentes com informações irrelevantes, sem significado. Ela nos tem condicionado apenas ao entretenimento, tornando obsoletas outras formas de interação humana.
Postman ressalta que até os noticiários são uma apresentação teatral. Jornalistas simpáticos relatam calmamente breves notícias sobre guerras, assassinatos, crimes e desastres naturais. Essas histórias catastróficas são intercaladas por comerciais que banalizam suas informações, isolando-as de seu contexto. Em seu livro, Postman registra um noticiário em que um almirante declarou que uma guerra nuclear mundial seria inevitável. No próximo segmento da programação, houve um comercial do Rei dos Hamburgers. Não se espera que nossa reação seja racional. Nas palavras de Postman, .os espectadores não reagirão com um senso da realidade, assim como a audiência no teatro não sairá correndo para casa, porque alguém no palco disse que um assassino estava solto na vizinhança..
A televisão não pode exigir uma resposta sensata. As pessoas ligamna para se divertir, não para serem desafiadas a pensar. Se um programa exige que pensemos ou demanda muito de nossas faculdades intelectuais, ninguém o assiste.
A televisão tem diminuído o alcance de nossa atenção. Por exemplo, alguma pessoa de nossa sociedade ficaria de pé, entre uma sufocante multidão, durante sete horas para ouvir os debates dos candidatos a presidente da República? Sinceramente, é muito difícil imaginar que nossos antepassados possuíam esse tipo de paciência. Temos permitido a televisão nos fazer pensar que sabemos mais agora, enquanto na verdade estamos perdendo nossa tolerância na área de pensar e aprender.
Sem dúvida, a mensagem mais vigorosa do livro de Postman está em um capítulo sobre religião. Esse homem não-crente escreve com profundo discernimento a respeito do declínio da pregação. Ele contrasta a pregação contemporânea com o ministério de homens como Jonathan Edwards, George Whitefield e outros. Estes homens contavam com um profundo conteúdo, lógica e conhecimento das Escrituras. Em contraste, a pregação de nossos dias é superficial, com ênfase no estilo e nas emoções. Na definição moderna, a .boa. pregação tem de ser, antes de tudo, breve e estimulante. Consiste em entretenimento, não em ensino, repreensão, correção ou educação na justiça (2 Tm 3.16).
O modelo da pregação moderna é o evangelista esperto que exagera as emoções, traz consigo um microfone, enquanto anda pomposamente ao redor do púlpito, levando os ouvintes a baterem palmas, movimentarem- se e fazerem aclamações em voz bem alta, ao tempo em que ele os incita a um frenesi. Não existe alimento espiritual na mensagem, mas quem se importa, visto que a resposta é entusiástica?
É lógico que a pregação em muitas das igrejas conservadoras não se realiza de maneira tão exagerada assim. Mas, infelizmente, até algumas das melhores pregações de nossos dias contêm mais entretenimento do que ensino. Muitas igrejas têm um sermão característico de meia hora, repleto de histórias engraçadas e pouco ensino.
Na verdade, muitos pregadores consideram o ensino de doutrinas como algo indesejável e sem utilidade prática. Uma grande revista evangélica recentemente publicou um artigo escrito por um famoso pregador carismático. Ele utilizou uma página inteira para falar sobre a futilidade tanto de pregar quanto de ouvir sermões que vão além de mero entretenimento. Qual foi a sua conclusão? As pessoas não recordam aquilo que você pregou; por isso, a maior parte da pregação é perda de tempo. .Procurarei fazer melhor no próximo ano., ele escreveu, .isto significa desperdiçar menos tempo ouvindo sermões demorados e gastando mais tempo preparando sermões curtos. As pessoas, eu descobri, perdoarão uma teologia pobre, se o culto matinal terminar antes do meio-dia..
Isto resume com perfeição a atitude que predomina na igreja moderna. Existe uma semelhança entre esse tipo de pregação e os comerciais de jeans, perfume e cerveja na televisão. Assim como os comerciais, a pregação moderna tem o objetivo de criar uma disposição íntima, evocar uma resposta emocional e entreter, mas não o de comunicar necessariamente algo da essência das Escrituras. Esse tipo de pregação é uma completa acomodação a uma sociedade educada pela televisão. Segue o que é agradável, porém revela pouca preocupação com a verdade. Não é o tipo de pregação ordenada nas Escrituras. Temos de pregar a Palavra (2 Tm 4.2); falar .o que convém à sã doutrina. (Tt 2.1); ensinar e recomendar .o ensino segundo a piedade. (1 Tm 6.3). É impossível fazer estas coisas se nosso alvo é entreter as pessoas.
O futuro da pregação expositiva é incerto. O que um pastor sincero tem de fazer para alcançar pessoas que se mostram indispostas e incapazes de ouvir com atenção e raciocínio exposições da verdade divina? Este é o grande desafio para os líderes da igreja contemporânea. Não devemos nos render à pressão para sermos superficiais. Temos de encontrar maneiras de fazer conhecida a Palavra de Deus a uma geração que não apenas recusa-se a ouvir, mas também não sabe como ouvir.
Fonte: Editora Fiel

sábado, 27 de julho de 2013

Francisco é diferente – só que não!


Francisco toca na imagem de “nossa Senhora Aparecida” antes de rezar missa no santuário dedicado à padroeira do Brasil.


Por Bispo José Moreno

Há cerca de trinta dias, conversei com uma jovem evangélica muito comprometida com o departamento de missões de sua igreja e com obras sociais, a qual me foi apresentada por um amigo comum, pastor, que a conhece de uma temporada missionária em outro país.

Ela me pareceu muito dinâmica, alegre, bem disposta e, sobretudo, temente a Deus, o que é a característica principal de um missionário cristão. Além disso, tem formação superior e pós-graduação. E, se isso não bastasse, é morena, bonita e solteira. Como eu tenho um filho jovem, logo pensei em tê-la como nora…

Mas o que me surpreendeu naquele encontro não foram os muitos dotes dessa jovem. Fiquei particularmente admirado com a empolgação dela com a vinda de Francisco ao Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude. Pelo que disse, é bem provável que ela seja um dos muitos milhares de jovens presentes nos encontros que o papa está tendo com eles aqui na Cidade Maravilhosa.

De fato, Francisco é atraente. É sorridente, humilde, afetuoso, acessível. Tem uma postura bem diferente da dos seus antecessores: abriu mão do trono dourado no Vaticano e o substituiu por uma cadeira de madeira bem simples; não usa a estola vermelha bordada a ouro; seu anel é de prata e não de ouro; sua cruz é a mesma que usava antes, de metal comum; recusou os luxuosos aposentos papais e vive modestamente, sem ostentação. Não exige tapete vermelho e anda a pé; quando precisa usar um automóvel, prefere modelos populares, sem luxo.

Não há dúvida que ele é diferente. Ele quer uma igreja pobre, próxima do povo; escandaliza-se ao ver padres e bispos locomovendo-se em carros suntuosos, último tipo. Está bem claro para todos que ele será um dos mais populares papas da história. E tenho certeza de que fará mudanças radicais na cúpula da Igreja romana. Obviamente, essa popularidade e essas mudanças repercutirão em diversos setores religiosos e laicos no mundo todo. E atrairão, como se sabe, muitos evangélicos.

Mas, um momento!

Os evangélicos vão se tornar devotos de Maria também? Pois Francisco é devotíssimo da bem-aventurada mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, a quem os romanos chamam de “nossa Senhora”. A seu pedido, o roteiro da sua vinda ao Brasil foi modificado, para que ele fosse rezar em Aparecida perante a imagem da “nossa Senhora”.

Os evangélicos serão aceitos na eucaristia romana (ceia do Senhor)? E, se forem, aceitarão tranquilamente a doutrina da transubstanciação? Concordarão com o sacrifício da missa? Buscarão as indulgências? Participarão da “veneração” das imagens dos santos? Recorrerão à intercessão dos santos? Fugirão do purgatório?

Francisco é diferente – só que não, pois como papa ele é o chefe da Igreja que pratica todas essas – e outras – distorções do texto sagrado, o qual chamamos de Bíblia, nossa única regra de fé e prática.

A Reforma Protestante veio depurar a igreja. Os evangélicos, em tese, são herdeiros da reforma e não do romanismo. O moto protestante é:“Ecclesia reformata et semper reformanda est”. Enquanto isso, a Igreja romana segue firme nas suas tradições, imutável. Mas o papa é pop.

Por isso fiquei pensando naquela jovem evangélica empolgada com a vinda de Francisco ao Brasil. Acho que a falha está do nosso lado. Estamos errando por não ensinar corretamente os nossos jovens. Até quando?

terça-feira, 25 de junho de 2013

Cinco Marcas das Igrejas Avivadas – Ray Ortlund

Postado em 25/06/2013 sob ArtigoOutrosReforma/Avivamento | Seja o primeiro a comentar! e Nenhuma reação


J.I. Packer, escrevendo em God in our Midst (“Deus em Nosso Meio”; Ann Arbor, 1987), páginas 24-35, propõe que, entre a variedade de meios de ação de Deus, cinco constantes aparecem nos avivamentos bíblicos:
1- Consciência da presença de Deus: “A primeira e fundamental característica no avivamento é o senso de que Deus se aproximou de maneira assombrosa em sua santidade, misericórdia e poder”.
2- Reação à Palavra de Deus: “A mensagem da Escritura que anteriormente, quando muito, fazia apenas um impacto superficial, agora sonda seus ouvintes e leitores nas profundezas de seus seres”.
3- Sensibilidade ao pecado: “As consciências se tornam delicadas e uma profunda humildade se faz presente”.
4- Disposição em comunidade: “Amor e generosidade, unidade e alegria, segurança e ousadia, um espírito de louvor e oração e uma paixão de alcançar e ganhar outros são marcas recorrentes de comunidades avivadas”.
5- Frutificação no testemunho: “Os cristãos proclamam através das palavras e das obras o poder da nova vida, almas são ganhas, e uma consciência comunitária informada por valores cristãos emerge”.
Nenhuma igreja, nenhuma comunidade, pode experimentar tais poderes celestiais sem um motim contra este mundo. Além disso, é trabalho do pastor orar pelo avivamento e pregar em direção ao avivamento. Portanto, um pastor fiel não pode realizar seu trabalho sem aceitar que o evangelho que ele prega causará uma mudança drástica.
Entendido.
Por Ray Ortlund. Copyright The Gospel Coalition, Inc. Original: Five marks of revived churches
Tradução: Alan Cristie. Ministério Fiel © Todos os direitos reservados. Original: Cinco Marcas das Igrejas Avivadas – Ray Ortlund 
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