terça-feira, 21 de outubro de 2014

Como ser Cheio do Espírito Santo

John Piper


Como beber o vinho de Deus?
Efésios 5:18 diz: "E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito". Há, pelo menos, quatro efeitos de ser cheio do Espírito. Primeiramente, o versículo 19 mostra que o efeito é musical: "...falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor". É evidente que a alegria em Cristo é a característica peculiar de ser cheio do Espírito.
Mas não somente alegria. No versículo 20, encontramos a gratidão: "Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo". Gratidão perpétua, gratidão por tudo resulta de ser cheio do Espírito - e essa gratidão tem como alvo o vencer a murmuração, o descontentamento, a autocompaixão, a amargura, o queixume, a carranca, a depressão, a inquietação, o desânimo, a melancolia e o pessimismo!
Mas os efeitos não são apenas alegria musical e gratidão por tudo; há também a submissão de amor às necessidades uns dos outros - "sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo". Alegria, gratidão e amor humilde - essas são algumas das marcas de ser cheio doEspírito.
Poderíamos acrescentar um quarto efeito: ousadia no testemunho cristão. Podemos ver isto com mais clareza em Atos 4:31: "Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus". Nenhum crente deixará de ser ousado e zeloso no testemunho, se o Espírito Santo estiver produzindo nele alegria transbordante, gratidão perpétua e amor humilde. Oh! Como precisamos ser cheios do Espírito! Procuremos esse enchimento! Busquemo-lo!
No entanto, há uma pergunta crucial: como podemos buscá-lo? Comecemos com a analogia mais próxima: "Não vos embriagueis com vinho... mas enchei-vos do Espírito" (v. 18). Como você se embriaga com o vinho? Você o bebe... em grande quantidade. Então, como ficaremos embriagados (cheios) com o Espírito? Bebamos dEle! Bebamos em profusão. Paulo disse: "A todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1 Coríntios 12:13). Jesus disse: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, doseu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito" (João 7:37-39).
Como podemos beber do Espírito Santo? Paulo disse: "Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, [cogitam] das coisas do Espírito" (Romanos 8:5). Bebemos do Espírito cogitando das coisas do Espírito. O que significa "cogitar" das coisas do Espírito"? Colossenses 3:1-2 afirmam: "Buscai as coisas lá do alto... Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra". "Pensar" significa "procurar, dirigir a atenção para, preocupar-se com". Significa "ser dedicado a" e "absorvido com". Portanto, beber do Espírito significa buscar as coisas do Espírito, dirigir a atenção às coisas do Espírito, dedicar-se às coisas do Espírito.
Quais são "as coisas do Espírito"? Quando Paulo disse: "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus" (1 Coríntios 2:14), estava se referindo aos seus próprios ensinos inspirados pelo Espírito (1 Coríntios 2:13) - especialmente seus ensinos a respeito dos pensamentos, planos e caminhos de Deus (1 Coríntios 2:8-10). Então, "as coisas do Espírito" são os ensinos dos apóstolos a respeito de Deus. Jesus também disse: "As palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida" (João 6:63). Logo, os ensinos de Jesus também são "as coisas do Espírito".
Portanto, beber do Espírito significa cogitar das coisas do Espírito. E cogitar das coisas do Espírito significa dirigir nossa atenção aos ensinos dos apóstolos a respeito de Deus e às palavras de Jesus. Se fizermos isso por bastante tempo, ficaremos embriagados com oEspírito. De fato, ficaremos viciados no Espírito. Em vez de dependência química, desenvolveremos uma maravilhosa dependência doEspírito Santo.
Mais uma coisa: o Espírito Santo não é como o vinho, porque Ele é uma pessoa e livre para ir e vir aonde quer que deseje (João 3:8). Por isso, temos de acrescentar Lucas 11:13. Jesus disse aos seus discípulos: "Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" Se queremos ser cheios do Espírito, temos de pedir isso ao nosso Pai celestial. E foi isso que Paulo fez pelos crentes de Éfeso. Ele pediu ao Pai celestial que aqueles crentes fossem "tomados [cheios] de toda a plenitude de Deus" (Efésios 3.19). Beba do Espírito e ore. Beba do Espírito e ore. Beba do Espíritoe ore.

Fonte: Ministério Fiel 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Perder a salvação, como assim? E o "De Modo Nenhum o Lançarei Fora?"



É comum ouvir muitos testemunhos de crentes que afirmam ser possível perder a salvação em Jesus, mas será que é realmente possível perder a salvação? Onde podemos encontrar nas Escrituras bases para essa afirmação? A ideia de que a salvação do crente está por um triz me causa grande espanto, pois compromete o atributo da soberania de Deus, como também causa grande insegurança e confusão a respeito da vida eterna do crente. Será que os nomes dos filhos de Deus foram escritos no Livro da Vida com lápis e borracha? Deus faz uso de liquid paper?

O problema dessa ideia é que esta desqualifica o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade, pois Ele é o principal responsável pela regeneração (o Novo Nascimento de João 3), conversão e santificação. O cristão é a propriedade de Deus. Deus ungiu, portanto Ele é a única garantia do cristão (2 Co 1.21,22; Fp 2.13). 

Outro problema é que também distorce o verdadeiro sentido da graça de Deus. Paulo declara firmemente que somos salvos pela graça, por meio da fé; e isso não vem de nós; é dom de Deus (Efésios 2.8-9). É necessário considerar que a palavra "graça" significa "favor imerecido". A salvação não é por meritocracia humana. No entanto, a fé é produzida por Deus para que o crente graciosamente seja salvo. Por diversas vezes, Paulo afirma que a salvação é um dom (presente) de Deus. Portanto, não depende do pecador a sua salvação, visto que Deus também não depende do homem para realizar sua obra salvífica. "A salvação vem do Senhor" (Jn 2.9). Agindo Deus quem O poderá impedir? 

Mais um problema desse ensino é desqualificar a veracidade das palavras de Jesus, pois Ele mesmo falou abertamente sobre a impossibilidade de suas ovelhas escaparem de suas mãos: "...eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas; e elas me conhecem; assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor" (João 10.14-16). "Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei... E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que Ele me deu..." (João 6.37;39). Jesus declarou que Ele e o Pai fariam morada no crente regenerado (João 14.16-18). Portanto, a salvação é um poderoso milagre e, como cristãos, somos trinitarianos.

As Escrituras jamais abrem precedentes para que a salvação do pecador esteja ao alcance do próprio pecador, ou que uma vez que Deus o tenha atraído graciosa e irresistivelmente seria possível perder a salvação. A salvação dos crentes está protegida, até porque nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1). Na carta aos Romanos, Paulo escreveu que nada nem ninguém poderá separar os eleitos do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Rm 8.39).

Quando se trata de salvação é necessário levar em conta a soberania de Deus. Pode parecer uma ilustração irônica, mas pensar na possibilidade de perder a salvação é o mesmo que acreditar que Deus escreveu o nome dos seus próprios filhos com uma borracha em mãos e que está disposto a apagar em casos de desvio de conduta ou falhas. Isso faria dEle um déspota moralista e um ser tirano. Se Deus fosse assim, não seria soberano, nem teria o controle da sua obra. Se os líderes e pastores que ocupam os púlpitos de muitas igrejas tivessem cuidado a esse respeito, evitariam conflitos ou contradições em seus sermões. Somos feitura dEle (Ef 2.10)! Pensar dessa maneira também abre precedentes para que a salvação seja pelas obras do homem, não pela graça. Como se a salvação estivesse nas mãos dos homens.  Ora, se perder a salvação fosse possível estaríamos atestando um tremendo contra-senso bíblico e Paulo estaria errado quando declara que os dons de Deus são irrevogáveis (Romanos 11.29). A salvação pertence a Deus do início ao fim! (Filipenses 1.6)

Até entendo que esse assunto cause receio de que as pessoas pensem não possuir responsabilidade alguma perante Deus, porém isso não deve nos preocupar tanto, pois a doutrina da Soberania de Deus não exime o crente de suas responsabilidades (Fp 2.12,13). O crente genuíno se santifica em Deus. Ele ora, estuda a Palavra, testemunha e com ajuda do Espírito viverá uma vida piedosa neste mundo. Porque quando o pecador é alcançado pela graça de Deus, seus olhos são abertos, ele entra no Reino de Deus (João 3), seus sentidos espirituais e a presença do pecado são aguçados. O crente salvo em Jesus é possuído pela presença de Deus. O crente regenerado muda de dentro para fora. Sua maneira de viver é um reflexo da obra que o Espírito Santo está realizando desde o ato da regeneração. É como se um escravo fosse liberto, um morto ressuscitasse, um mendigo fosse convidado para um banquete na presença da pessoa mais importante do seu país. Paulo disse que o amor de Deus é constrangedor. Era nessa perspectiva que viviam os crentes no livro de Atos. Eles não davam desculpas para viver pecando, eles não brincavam no abismo do pecado. O estilo de vida dos cristãos do primeiro século era admirável. 

João Calvino foi um grande reformador e defendeu vigorosamente a doutrina da predestinação, mas ele mesmo jamais aprovou qualquer atitude que invalidasse a responsabilidade humana. O crente salvo não se torna libertino, pois ama o seu Senhor e Salvador e deseja agradá-lo, mesmo que isso custe a sua própria vida. A pergunta para as pessoas que ingressam na igreja e depois de algum tempo retornam à prática do pecado é: realmente foram regeneradas? Houve salvação? Passaram pelo Novo Nascimento (Jo 3.3; Jo 5.12; 1 Jo 2.18,19)? Ovelhas vivem no aprisco e seguem a voz do Bom Pastor. No caso dos porcos, eles podem até ser bem cuidados, mas desejarão viver no chiqueiro, não se adaptarão ao aprisco e nem compreenderão a voz de um pastor, pois não é da sua natureza. Cedo ou tarde, quem não é salvo se manifestará (1Jo 2.19). Houve conversão genuína, ou uma experiência superficial com a religião evangélica? Deus no ato da salvação não produz adeptos, prosélitos nem simpatizantes. Deus nos transforma em filhos da obediência. O crente em Jesus é livre do poder do pecado.

Sendo assim, pelo que sei Deus não usa liquid paper nem borracha, tendo em vista sua soberana vontade. Ele é o Autor e Consumador da nossa fé. E diante de tantas inseguranças em relação ao amor de Deus e confusões teológicas, só nos resta replicar as palavras benditas do nosso Senhor e Salvador Jesus na versão RA: "DE MODO NENHUM O LANÇAREI FORA"!

Soli Deo Glória


Anderson M. Lamarão

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Método de Estudo Bíblico de A. W. Pink

“Nos meus primeiros anos eu assiduamente segui este triplo caminho:
Em primeiro lugar, eu lia toda a Bíblia três vezes por ano (oito capítulos do Antigo Testamento, e dois do Novo Testamento diariamente). Eu constantemente perseverei nisso durante dez anos, a fim de me familiarizar com o conteúdo, que só pode ser alcançado através de consecutivas leituras.
Em segundo lugar, eu estudei uma porção da Bíblia a cada semana, concentrando-me por dez minutos (ou mais) todo dia na mesma passagem, pensando na ordem dela, na ligação entre cada afirmação, buscando uma definição dos termos importantes, olhando todas as referências marginais, procurando seu significado típico.
Terceiro, eu meditei sobre um versículo a cada dia, escrevendo-o sobre um pedaço de papel na parte da manhã, memorizando-o, consultando-o em alguns momentos ao longo do dia; pensando separadamente em cada palavra, pedindo a Deus para revelar para mim o seu significado espiritual e para escrevê-la no meu coração. O versículo era o meu alimento para aquele dia. Meditação é para a leitura como a mastigação é para o comer.
Quanto mais alguém seguir o método acima mais deve ser capaz de dizer:
‘A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho. “[Sl 119: 105].’“
- A.W. Pink
Retirado de Reformed Voices, tradução própria.
Fonte: Voltemos ao Evangelho

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Escolhi pregar expositivamente


Em 1994 fui para o Instituto Bíblico de Rondônia, ali iniciei os meus estudos teológicos. Então, comecei a pregar com preparo acadêmico ao aprender a normas e estruturas da homilética, entretanto, a ênfase era o modelo de sermão temático. Na época apenas li superficialmente acerca da pregação expositiva, e não conhecia nenhum pastor que pregasse deste modo. O sermão temático é fácil de preparar exigindo a imaginação e um simples jogo de palavras a partir do tema de um texto da Escritura. Mas sempre me causou insatisfação, sabendo que eu correria o risco de dizer algo que não estava no texto, ou até mesmo de pregar algo que não era o texto.

Durante os meus estudos no STPJMC recebi nova ênfase homilética. Desta vez, a pregação expositiva foi ensinada e exigida nas avaliações de prática de pregação. Li pelo menos três livros sobre pregação expositiva, pois não havia muita coisa em português, e os modelos pregadores brasileiros que eu conhecia eram ainda mais escassos. Terminei a minha graduação convencido que deveria pregar sermões expositivos, mas a prática não estava clara. Eu não sabia direito como isso poderia ser feito.

Após dois anos de pastorado pregando sermões temáticos abandonei este método. Quando decidi pregar expositivamente como parte permanente do meu ministério, não iniciei repentinamente. Primeiro comecei explicando à igreja que pastoreava, os motivos de doravante pregar expositivamente. Também expliquei que faria análises de textos continuados, e não apenas textos isolados a cada Domingo. Em cada sermão comecei a oferecer o contexto histórico, da intencionalidade do autor, da problematização dos destinatários e analisando a estrutura gramatical do texto no esforço de extrair o significado original que o autor inspirado quis comunicar. Confesso que algumas vezes tive receio de estar fazendo errado, e como pastoreava uma igreja do interior de Rondônia, e tinha pouco contato com o meio acadêmico bem como os grandes centros, tive que tentar descobrir e seguir as complicadas orientações que os autores de homilética ofereciam. Ainda continuo lendo, ouvindo, vendo acerca de sermões expositivos e atentamente aprendendo com pregadores que estão comprometidos com este método.

Se você ainda não se decidiu quanto a se prega ou não expositivamente, permita-me neste artigo sugerir que repense acerca da possibilidade de comprometer-se com a pregação expositiva.

Motivos práticos para pregar expositivamente

Posso elencar pelo menos três motivos para se pregar expositivamente: 1) pastoral, 2) exegético e, 3) homilética. Em breves sentenças farei algumas considerações para que você possa refletir e, o faço na esperança de que você assuma este compromisso. A minha intenção é compartilhar algumas sugestões de como fazer algo, que apesar da ampla divulgação recebida, ainda percebo dúvidas e erros no processo do fazer.

Algumas dicas pastorais

1. A direção do Espírito de Deus é vital para que o pregador exponha e aplique a Escritura Sagrada na igreja local. Ao escolher o que pregar, e isto não significa apenas um texto isolado, o pregador carece discernir que alimento deve entregar ao rebanho. Esta necessidade, seja de natureza preventiva ou corretiva, precisa ser identificada com santo discernimento e oração. O pregador que teme ao Senhor, também anseia por ser-lhe fiel, e ao mesmo tempo por amor e zelo, deseja ensinar e corrigir persuadindo os seus ouvintes acerca da vontade de Deus.

2. O pastor trabalha para que a igreja sob seus cuidados seja saudável. Para isto o seu sermão é fogo santo, pão do céu e poder de Deus para comunicar graça aos que ouvem, persuadir os que duvidam e fazer calar os que se opõe ao evangelho de Cristo! Tamanha tarefa não pode ser realizada superficialmente! Deste modo aconselho: ore, ore e ore! Estude, estude e estude! Sob o perigo de ainda assim, ser encontrado inapto para tão grandiosa tarefa. Este compromisso somos chamados para cumpri-lo dominicalmente diante de pessoas que estão sob o nosso cuidado.

3. É uma atitude irresponsável não ter um plano de pregação. Como relatei antes de ser persuadido da necessidade da pregação expositiva, iniciei meus dois primeiros anos de ministério pastoral pregando sermões temáticos. Confesso que cheguei algumas vezes próximo de 1 hora antes de começar o culto e não sabia o que pregaria naquela noite! Pregando expositivamente, especialmente livros inteiros, tenho o texto definido meses com antecedência oportunizando-me tempo para pesquisa, meditação e compreensão estrutural do livro. Outro aspecto prático é perceber que os membros interagem comigo no preparo do sermão, fornecendo dicas de leitura ou ilustrações de situações relacionadas ao texto que serão pregados na sequência.

Algumas dicas exegéticas

1. Eu poderia iniciar aqui pressupondo que você aprendeu a fazer exegese. Se você o sabe, perdoe-me se minhas dicas parecerem primárias, assim, peço que tenha paciência e continue lendo. Estas sugestões têm basicamente o intuito de ser um “como fazer”, e escrevi pensando em seminaristas, pastores inexperientes e pregadores leigos que desejam aperfeiçoar-se na honrada tarefa da pregação.

2. Ok, sigamos então selecionando o livro ou porção das Escrituras. Leia-o todo, e faça isso repetidas vezes, até que seu conteúdo esteja claro em sua mente e consiga resumi-lo em sentenças curtas.

3. Seja diligente em fazer a reconstrução do contexto histórico. Ao ler o texto a data, local, autoria, as circunstâncias, aspectos geográficos, político, culturais, etc. precisam estar vívidos em sua mente. Caso não possa adquirir manuais de introdução sobre o AT ou NT, tenha à mão uma Bíblia de Estudo de Genebra, porque ela oferece na parte introdutória de cada grupo de livros e em cada livro estas informações.

4. Descobrir o ensino intencional do autor é o objetivo do pregador. O que determina significado no texto é responder: o que ele quis dizer? Em havendo, qual problema atacava? Bem como qual dúvida ele esclarecia. E ainda o que ensinou neste texto aos seus leitores? Estruturalmente deve-se observar como do primeiro ao último versículo ele desenvolve o seu raciocínio. Isto resume ao abordar cada passagem qual era a interação do autor em relação aos seus destinatários no contexto original.

5. As conjunções devem ser respeitadas na divisão das perícopes a serem pregadas. E quando possível deve-se observá-las ao fazer as divisões do seu sermão. Estas divisões não são arbitrárias, mas direcionadas pela estrutura gramatical do próprio texto. Se o pregador tem noções gramaticais da língua original isto facilita muito, se não tem, então observe como as traduções mais recentes têm seguido as divisões das perícopes conforme a estrutura do idioma original.

6. No texto escolhido identifique as palavras-chaves ou expressões características do autor e como elas reforçam seu argumento. Verifique se ele recorre aos mesmos argumentos em outros livros que escreveu.

7. Faça a ponte da exegese para a homilética. A verdade descoberta exegeticamente precisa ser afirmada homileticamente. Em outras palavras, você precisa preparar frases tão curtas quanto possível, que resumam a ideia do autor, e fazer isso o mais didático possível. Neste ponto recomendo enfaticamente que você leia um livro de homilética, ou converse com um pregador experiente em como fazer isso. Não se esqueça: na pregação expositiva a estrutura homilética a ênfase do autor precisa ser colocada em relevo apontando a sequência do seu raciocínio em todo o livro.

8. Caso o pregador não domine a gramática das línguas originais recorra às diferentes versões. Entretanto, sempre é recomendável verificar como os tradutores percebem nuanças semânticas ou variações por causa da sintaxe ou da etimologia das línguas originais. Este recurso além de enriquece o conteúdo do sermão, também dinamiza a formulação das divisões do sermão.

Algumas dicas homiléticas

1. Por causa da inexperiência não corra o risco de se frustrar ou entediar seus ouvintes com exageros. Se você decidiu pregar expositivamente e não sabe como iniciar, sugiro que escolha pregar em pequenas porções, livros ou epístolas pequenas. Permita-me ser mais claro: não inicie preparando a sua série expositiva de sermões em livros como Isaías, Ezequiel, Jeremias, Provérbios, ou em Romanos, 1 Coríntios, Hebreus, pelo contrário, a humildade e a sensatez previnem e nos levam a pensar em começar com porções menores como os Dez Mandamentos, algum dos profetas menores, as Bem-aventuranças, ou mesmo todo o Sermão do Monte, Judas, Tiago, etc. Lembre-se se você não tem a experiência, nem a igreja local tem o costume de ouvir sermões, tome cuidado para não estragar algo tão bom por falta de tato pastoral.

2. Acompanhado o estudo de toda porção ou livro, identifique a estrutura dos assuntos. Isto pode ser verificado de dois modos: 1) Na introdução de cada livro da Bíblia de Estudo de Genebra há uma estrutura do conteúdo de todo o livro. Ou, 2) veja como as versões modernas trazem indicadores das divisões naturais. Aqui você saberá no seu planejamento quantos sermões pregará apenas subdividindo as perícopes.

3. Não comece cada sermão apenas pedindo para abrir no texto da sequência como algo mecânico. A introdução do sermão tem evocar a atenção, e convergir os pensamentos do público para a mensagem do texto. Há pregadores expositivos que entendiam os seus ouvintes no início do sermão, pois pensam que pregar lectio continua, ou seja, sequenciado texto após texto do mesmo livro dispensa uma introdução que apresente a relevância do sermão.

4. Lembre-se que um sermão expositivo não é mero comentário exegético do texto. Por vezes a pregação expositiva é antes de tudo um SERMÃO, e abrange todos os seus elementos essenciais. Alguns pregadores expositivos deixam de recorrer à proposição (chamadas por alguns de ideia homilética) e também pensam erroneamente ser dispensável o uso de divisões. Seja didático, você está instruindo e o modo como se faz a fixação da mensagem é importante. A fidelidade não dispensa a clareza.

5. Extraía do texto quais verdades ou princípios são ensinados e contra que pecados são aplicados. Aplique-os de modo prático, com linguagem que não desconsidere a inteligência nem a simplicidade dos seus ouvintes. A aplicação é uma das mais presentes falhas nos pregadores, que se preocupam apenas de expor, explicar, apresentar a verdade, indicar os princípios, mas em geral, omitem em aplicar e nisto não ensinam os presentes a viver de modo prático a Palavra de Deus.

Quais são alguns benefícios de se pregar expositivamente?

1. Edificar crentes com mentes treinadas a raciocinar sistemática, estrutural e gramaticalmente quando estudam e meditam no texto bíblico. A começar com o pregador que numa autodisciplina aprende a estudar e preparar sermões metodicamente construindo uma teologia mais bíblica a partir da exegese, ao mesmo tempo membros que ouvindo estes sermões aprendem como estudar e analisar a Escritura Sagrada. Assim, quer explicita ou implicitamente, pelo exemplo da pregação expositiva, demonstrará como os membros sob seu pastoreio podem efetivamente examinar as Escrituras.

2. O pregador torna a aquisição de literatura criteriosamente seletiva. Todo pregador precisa ter uma biblioteca básica que lhe seja útil no preparo de sermões. Por isso, ele não comprará aleatoriamente todo livro que lhe seduz, e sim aqueles que diante das necessidades de pregar, e adicionar conteúdo possa somar e facilitar o preparo do sermão, dentre as muitas tarefas pastorais.

3. O preparo do sermão expositivo é um hábito saudável no ministério pastoral. Nunca deixará de ser trabalhoso, mas com o tempo a experiência habilitará o pregador a ter facilidade e a satisfação de fazê-lo com menos embaraços técnicos. Uma vez familiarizado com este método possivelmente o pregador não se interessará em expor a Escritura doutro modo.

4. Crie o hábito de ouvir pregadores expositivos. Há pregadores que atravessam o mundo para pregar, mas se indispõe em cruzar a rua para ouvir um sermão! Ouvindo os que sabem fazer é um excelente recurso para se aprender. Atualmente na internet há vídeos de como preparar sermões expositivos. Após ler este artigo acesso-os e continue aprendendo!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Por que os jovens evangélicos estão se desviando na universidade?

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Por Renato Vargens


As estatísticas são sombrias. Alguns chegam a afirmar que em média, 60% dos jovens evangélicos que adentram a universidade se afastam da comunhão dos santos e da igreja. Ora, seria simplista da minha parte afirmar de modo absoluto os reais motivos para a apostasia de nossos jovens, todavia, acredito que algumas razões são preponderantes para o esfriamento da fé da juventude cristã:

1- Nossos jovens não estão sendo preparados pela igreja para enfrentar as demandas sociais, comportamentais e filosóficas na universidade.  Na verdade, afirmo sem a menor sombra de dúvidas de que a igreja não está oferencendo a sua juventude ferramentas necessárias para a desconstrução de valores absolutamente anticristãos. Por exemplo, as universidades públicas estão repletas de conceitos marxistas. Volta e meia eu recebo a informação de professores que em sala de aula zombam de Cristo, ridicularizando  publicamente todos aqueles que se dizem cristãos. 

2- Nossos jovens não estão sendo preparados pelos pais com vistas ao enfrentamento cultural. Vivemos numa sociedade multifacetada, cujo os valores relacionados a sexo, família, trabalho, sucesso e moral foram relativizados. Nesta perspectiva não são poucos aqueles que ao longo dos anos tem sucumbido diante da avalanche de conceitos extremamente antagônicos aos pressupostos bíblicos-cristãos.

3- Nossos jovens não tem sido preparados pela igreja para responder as perguntas de uma sociedade sem Deus como também oferecer respostas àqueles que lhes questionam a razão da sua fé.  Nesta perspectiva os conceitos "simplistas" de alguns dos nossos rapazes e moças  tem sido facilmente descontruídos num ambiente onde o cetiscismo e a incredulidade se fazem presentes.

4- Nossos jovens tem sido influenciados negativamente pelo secularismo, hedonismo e satisfação pessoal. Sem sombra de dúvidas acredito que o secularismo é um grave problema em nossos dias. A Europa por exemplo transformou-se num continente secularista onde o que mais importa é o bem estar comum e a ausência de Deus. Nesta perspectiva vive-se para o prazer, nega-se uma fé transcendente quebrando todo e qualquer paradigma que nos faça lembrar de Cristo ou da igreja.

Diante deste funesto quadro surge a pergunta: O que fazer então?

1-  A Igreja precisa fortalecer a família oferecendo aos casais ferramentas para a edificação de lares sólidos cujo fundamento é infalível Palavra de Deus.

2- A Igreja precisa preparar os seus jovens para responder as perguntas da sociedade. Nessa perspectiva, deve-se investir numa formação apologética, cujo foco deve ser oferecer a juventude "armas" espirituais capazes de anular sofismas.

3- A Igreja precisa investir em universitários promovendo grupos de comunhão, debates, além de discussões teológicas, sociológicas e filosóficas, oferecendo a estes condições de responder aos seus inquiridores o porque da sua fé.

4- A Igreja precisa estudar teologia com os universitários. Questões relacionadas ao pecado, juízo eterno, salvação, morte e sofrimento além de tantos outros conceitos relacionados aos nossos dias precisam ser explicados e entendidos pelos nossos jovens.

5- A Igreja precisa preparar os seus jovens para se relacionarem com a cultura. O problema é que em virtude do maniqueísmo que nos é peculiar satanizamos o mundo bem como todas as suas vertentes culturais. Por outro lado, existem aqueles que em nome da contextualização "mundanizaram" a Igreja, levando o povo de Deus a um estilo de vida ineficaz cujos frutos não tem sido muito bons.

6- A Igreja precisa fomentar em seus jovens o desejo de conhecer a Deus e se relacionar com Ele. Jovens que se relacionam com Deus através da oração e das Escrituras Sagradas tornam-se mais fortes diante dos embates desta vida.

Que Deus nos ajude diante hercúlea missão e que pela graça do Senhor nossa juventude possa ser bênção da parte do Senhor na universidade.

Soli Deo Gloria,

Renato Vargens

Fonte: Blog do autor